2007-10-03

Um agradecimento a todos

Caros amigos, as circunstâncias da vida impedem-me de manter este meu espacinho na blogosfera... Mudança de casa, mudança de vida, enfim, o tempo não é muito e ainda por cima não tenho internet na minha casa nova...
Só me resta agradecer a todos que por aqui foram passando e deixando as vossas mensagens, muito obrigada, mesmo!
Que a Paz de Cristo esteja sempre connosco!

E até um dia, quem sabe...

2007-06-30

Uma nova conversão

Li num jornal que o antigo primeiro ministro da Inglaterra, Tony Blair irá, segundo tudo indica, converter-se ao catolicismo. Esta não será com toda a certeza uma decisão infundada pois a mulher, Cheri e os 4 filhos do casal são católicos e presumo que essa influência tenha sido determinante.
No entanto, esta conversão deixou-me inquieta. É sempre bom saber que mais uma pessoa, ainda por cima com tão grande relevância a nível mundial, entra na família católica. Mas porque é que esta decisão só é assumida agora que está de saída do Governo? Dizem os entendidos que o facto de haver um primeiro ministro católico num país de protestantes feriria muitas susceptibilidades e podia causar alguma instabilidade política. Até entendo...
Só tenho pena que a sua conversão não tenha sido há mais tempo. A tempo da decisão da invasão do Iraque, por exemplo. Teria evitado muitas mortes de soldados ingleses e de civis iraquianos. Digo isto porque penso que nenhum verdadeiro católico pode concordar com qualquer tipo de guerra, seja ela qual for. Mas, pensando bem, a História tem-nos mostrado que quase sempre os interesses ditos nacionais se sobrepõem aos ensinamento de qualquer tipo de religião que os "chefões" dizem professar. E se calhar estas minhas ideias são ingénuas demais. Afinal por alguma coisa eu não sou primeira ministra de um país, não é?...
Seja lá como for, vale mais tarde do que nunca.
E como a parábola do filho pródigo diz, alegremo-nos, pois este homem estava perdido e encontrou-se!

2007-06-12

Festival JOTA

Se até o Ruca e o Noddy têm um festival, já era mais que tempo de haver um festival de música cristã!
Vai ser no Paul, perto da Covilhã, nos dias 20,21 e 22 de Julho, e com muitas actividades para além dos concertos que prometem ser memoráveis.
Passem a palavra! As inscrições já estão disponíveis em www.festivaljota.com.

2007-05-18

Casamentos e divórcios


Li há dias no Correio da Manhã que "metade dos casamentos em Portugal acaba em divórcio". Ora, alarmismos à parte, parece-me que, pelo andar da carruagem, um dia passamos de um extremo de há uns poucos de anos atrás em que o divórcio era raro, para o outro extremo em que o que é raro é o casamento.
Como a grande parte dos casamentos em Portugal (ainda) são realizados pela Igreja Católica, algo está a correr menos bem com o acompanhamento destes casais...
Não é minha intenção apontar o dedo a quem quer que seja, até porque não sou casada e por isso se calhar não tenho a experiência necessária para poder falar do assunto, mas acho que qualquer pessoa consegue perceber que este número tão elevado de divórcio tem uma relação muito directa com o facto de cada dia mais as pessoas não quererem abdicar do seu comodismo, das suas ideias, das suas vontades e do seu tempo em favor de ninguém. Já aqui reflecti num post anterior sobre os casais que não querem ter filhos por esses mesmos motivos.
Mas, para além disso, penso que os jovens casais não vão preparados para o casamento e, depois do casamento, não têm o acompanhamento que deveriam ter. Quando se fala de casamento fala-se da festa, dos convidados, da casa nova, enfim, das coisas boas. Parte-se do princípio que tudo vai correr bem. E infelizmente, nem sempre corre. O problema resolve-se quase sempre pelo divórcio, e já se ouve com frequência justificações do tipo "não deu" ou "não era pessoa para mim, paciência...".
Como é óbvio, na teoria, tudo se resolve, enquanto que na prática as coisas nem sempre são tão lineares, mas sou da opinião que se devia investir mais na preparação dos noivos. Estou a frequentar um curso de preparação para o matrimónio e, tenho de admitir, que apesar dos esforços das pessoas envolvidas, está a ser uma decepção para mim. Se calhar porque estava à espera de um espaço de troca de experiências e de partilha e basicamente o que tenho assistido é a um apelo insistente para que os noivos tenham filhos. Parece que o casamento só existe mesmo para isso: procriação. Se calhar é isso mesmo que a Igreja Católica pretende dos casamentos, não sei... mas é essa a ideia que estão a passar no curso que estou a frequentar.
Será que umas noções de resolução de conflitos ou até psicologia não seriam uma boa aposta?
E depois do casamento? Será que existem pessoas a quem os noivos podem recorrer quando há problemas conjugais? Existe um acompanhamento da comunidade aos casais? Tal como há uma equipa de CPM, também não seria pertinente haver uma equipa de CAM (Curso de acompanhamento de matrimónio)?...
Fica a sugestão...

2007-05-04

A educação religiosa da Maria

Este tempo que estive ausente aqui do meu cantinho foi preenchido com a oportunidade rara de disfrutar da companhia da Maria, que é uma menina linda de pouco mais de dois anos que esteve cá por casa durante uns dias.

A Maria nasceu e cresce no seio de um casal, no mínimo, ateu. Tenho a vaga sensação que se abstêm de mostrar a sua antipatia pela Igreja Católica por respeito a mim, mas é bem claro que não estão minimamente interessados em sequer ouvir algumas explicações para corrigir algumas ideias (que hoje em dia são comuns, infelizmente) que não correspondem à fé da Igreja Católica.
Como é óbvio, tenho de respeitar a opção dos pais de não baptizarem a sua filha, mas por outro lado também sinto quase que uma obrigação de, pelo menos, contar-lhe quem foi Jesus Cristo. Pode haver muita gente que não tenha fé, mas penso que ninguém duvida da existência de Jesus Cristo.
Aproveitei o facto de a Maria estar comigo sozinha no domingo de manhã e vimos a missa pela televisão. Cada vez que aparecia uma imagem de Jesus, lá lhe dizia: "Olha, aquele é Jesus! Um Senhor muito bom!". Fiquei enternecida quando, naquela tarde, ao entrar numa igreja que os pais visitavam aqui perto, a Maria diz, naquela linguagem de bébé tão peculiar e apontando para a cruz: "Óia, Óia, é Zus!".
Os pais ficaram admirados e olharam para mim com ar de desconfiados. Não sei se levaram a mal esta minha intromissão na educação religiosa da Maria, mas afinal todos nós somos chamados para a tarefa de evangelizar, não é?...
Os pais da Maria não fizeram nenhum reparo e por isso continuo a falar em Jesus e a pequena Maria já sabe a coreografia do "Braços no Ar" da Banda Jota.
Respeito a decisão dos pais, é a eles que cabe a educação da filha, mas um dia, quando a Maria ouvir falar de Jesus às outras pessoas, pelo menos já sabe que foi um "Senhor Bom". Pode ser que esta sementinha, se Deus quiser, seja suficientemente forte para um dia crescer e florescer. É o mínimo que podia fazer, não é?!...

2007-04-14

Areia demais para a minha camioneta...

A conversa passou-se na Quaresma, com uma senhora já quase na reforma, muito simpática, que trabalha comigo e que costuma falar comigo sobre muitas coisas, entre as quais as questões da fé.

Estava a decorrer a semana das confissões e eu tinha acabado de lhe contar que aproveitava sempre esta ocasião para quase que me "obrigar" a confessar, porque até agora (feliz ou infelizmente) não senti necessidade de me confessar ao longo do ano.
Ela respondeu que também se confessava na Quaresma mas que não dava muita importância às confissões, pois falava todos os dias com Deus e que Ele a conhecia muito bem. Além disso tinha a certeza que Deus a perdoava pelas faltas dela e por isso a confissão, para ela, era mais um "ritual" do que propriamente uma confissão.
"Eu não vou confessar nada", dizia ela, "Deus sabe perfeitamente o que fiz e como me sinto acerca do que fiz, não precisa que eu diga ao Padre."
Ainda retorqui, afinal estamos a falar de um Sacramento, da presença de Deus.
"Deus está sempre comigo! Não é só quando o Padre me põe as mãos na cabeça!"
"Certo", disse eu, "mas não acha que, por exemplo, quando vamos comungar devemos estar a bem com Deus, que devemos pedir desculpas pelas nossas falhas? Afinal de contas, quando alguém nos convida para comer nós gostamos de estar em paz com essa pessoa, caso contrário nem nos sentimos à vontade para disfrutar da refeição, não é?"
Confesso que se calhar os meus argumentos não foram os melhores, mas já tinha percebido que qualquer que fossem os argumentos, a senhora estava plenamente convencida da sua razão. E continuou:
"Olhe, Nosso Senhor Jesus Cristo, na última ceia, mesmo sabendo que Judas o tinha traído e tinha pecado, deu-lhe o pão e o vinho, como o Seu corpo e o Seu sangue, foi, não foi? Ele disse "tomai e comei todos!". Todos! Não são só os que se confessaram, são todos! Até mesmo Judas, que Ele sabia que o ia entregar!"
Achei que a conversa já estava a tomar uma direcção a um caminho que eu não conseguia acompanhar e lá disse um "Pois é...", pouco convincente e a conversa ficou-se por ali.
É nestas ocasiões que a minha catequista dava um jeitão... A minha "bagagem teológica" não consegue acompanhar certas investidas e fiquei com a sensação de ter ficado algo mais a dizer. O quê, é que já não sei...

2007-04-05

Boa Páscoa!



Desejo a todos os meus amigos que visitam este espaço uma Santa Páscoa!

Que esta época seja muito mais do que uns ovos embrulhados ou uns coelhos saltitantes...

Que seja um renascer de cada um de nós com Cristo.

Boa Páscoa!

2007-04-01

Domingo de Ramos

Os portugueses são um povo cheio de tradições. E têm também, na minha perspectiva, um grande defeito: às vezes fazem coisas só porque os outros os fazem, mesmo sendo tradição, sem procurar encontrar um sentido ou uma justificação para o que estão a fazer.O Domingo de Ramos é um daqueles dias que preenche as minhas memórias de infância. Apesar de não fazer a mínima ideia acerca do que significava o dia, ficava sempre muito contente porque a minha avó cortava um ramo das cameleiras do jardim e eu divertia-me a furar, com muito cuidado, as bolachas Maria com um alfinete para depois passar um fio e pendurar as ditas bolachas no ramo. Passava a manhã toda a "passear" o meu ramito cheio de bolachas, para depois as comer quando chegava a hora do almoço.

No último Domingo de Ramos não havia ramos da cameleira com as bolachas na igreja, mas havia pessoas que levavam ramos que não eram ramos, mas quase árvores inteiras. De facto, o senhor que estava à minha frente levava uma árvore tão grande que incomodava toda a gente à volta. "Olha que disparate", diziam as senhoras em sussurro, "não havia maior lá em casa?!"
Da mesmo maneira se queixava outra senhora, há dias, quando houve as Confissões Quaresmais. De repente houve algumas pessoas que resolveram levantar-se e fazer fila à entrada do altar para se confessarem. Logo se levantaram as outras pessoas e ficou uma fila que ia até ao meio da igreja. "Estes devem pensar que chegam lá mais depressa por estarem em fila!", queixava-se a minha vizinha do lado para a amiga.
Servem estes episódios para justificar o que disse no início. Às vezes fazemos coisas que nem pensamos no que fazemos. Fazemos porque os outros fazem, sem nos questionarmos. E quando pensamos no que já fizemos, às vezes custa arranjar uma explicação, resta-nos apenas esperarmos para a próxima oportunidade para não repetirmos o mesmo erro...
Hoje, é Dia de Ramos outra vez. Vou arranjar o meu ramito pequenito, e simples... ah, e sem bolachas Maria!

2007-03-24

Sinais dos tempos

Aqui há uns anitos atrás, talvez uns 10 ou 15 anos (pelo menos), o que era mais normal era ser católico, acreditar em Deus e seguir todos os preceitos da Igreja Católica. Quem fugisse deste cenário era, normalmente, apelidado, na melhor das hipóteses de "diferente" e na pior das hipóteses de "comunista", ou herege. E afirmo isto com conhecimento de causa própria, não porque alguém me contou.

Hoje parece que é exactamente o contrário.

Esta semana havia uma tarefa importante para os alunos, cada um teria de enfrentar um auditório e fazer uma apresentação do seu trabalho. Coisa assustadora... "Oh professora, tem mesmo de ser?!", "Eu vou morrer de vergonha!", "Eu vou engasgar-me!", "Que vergonha, oh professora!",... Enfim, todos se queixavam.
Chegou a vez dele, um dos alunos mais "despassarados", mas sempre acreditei que fosse um bom rapaz, apesar dos desvarios próprios da idade.
Quando subiu o estrado benzeu-se, e ao tirar a mão do bolso deixou mostrar um terço que trazia escondido e que não largou durante a apresentação.
Risota geral na plateia, onde estavam os colegas... Alguns comentários menos agradáveis à sua fé e pouco compreensíveis vindo de jovens já perto dos vinte anos.
Ele não ligou. Continuou com a mão no bolso onde tinha o terço.
No fim, depois das palmas dos colegas que há pouco se tinham rido dele, veio ter comigo aflito: "Correu bem, professora?!", respondi-lhe que sim, que realmente se tinha portado bem. "Graças a Deus!", respondeu e olhou para cima, como que a agradecer.
Foi das melhores apresentações da turma. Teve ajuda divina? Não sei, mas de certeza que ao sentir a presença de Deus com ele, ajudou-o a pôr de lado os medos e os receios que os colegas tiveram e que foram notórios ao longo de todas as outras apresentações.
Talvez seja próprio da idade, se calhar estes jovens ainda não tiveram a oportunidade de encontrar Deus, ou se calhar não O querem encontrar. Mas muitos deles já levam 8 anos de aulas de Religião e Moral, de catequese e até já foram crismados, por isso fiquei triste por estarem a gozar com um colega que trouxe um terço para o ajudar.
Felizmente o meu aluno não se deixou intimidar. Fiquei muito contente com ele. Afinal, nos dias que correm, é mais problemático um jovem de 17 anos trazer um terço no bolso do que um cigarro na boca ou apanhar uma valente bebedeira... Sinais dos tempos.


2007-03-18

O caminho

Acho que finalmente percebi o que é pecar. É daquelas coisas que sempre me custou perceber, apesar de saber a definição "oficial" do conceito, ou, pelo menos, pensava que sabia. Mas uma coisa é saber uma definição, um significado, outra é interiorizá-lo, senti-los, assimilá-lo.Toda a gente sabe o que é a solidariedade, mas nem todos são capazes de se sentir verdadeiramente solidários com alguém. O mesmo acontece com o pecado.
Fala-se muitas vezes da caminhada que nós, cristãos, temos a fazer. Uma caminhada que nos leva ao Pai, uma caminha de Fé, construída com mais ou menos perseverança, com mais ou menos retrocessos e avanços, uma caminhada que não é propriamente fácil. Quando estivermos verdadeiramente felizes, connosco e com os outros, em Paz com o Mundo, quando estivermos plenamente felizes com a vida, estamos próximos de Deus. Pelo menos é aquilo que eu sinto.
Um caminho pode ter vários atalhos, desvios, e nem sempre sabemos se aquele atalho nos leva onde queremos ir. Tal como a nossa caminhada. Nunca ninguém a fez por nós e por isso nunca sabemos se um caminho nos encurta a caminhada ou se nos vai atrasar ainda mais. E por vezes há atalhos que parecem tão apetecíveis...
Sinto que Deus me deu um mapa para fazer o meu caminho para ser feliz. No entanto deparo-me com atalhos, não cartografados, que sei que me vão fazer feliz por algum tempo e depois me vão fazer perder por caminhos demasiado sinuosos.
Optar por esses caminhos é afastar-me da felicidade que Deus quer para mim. Optar conscientemente pelo atalho é ofender Deus que nos mostrou o verdadeiro caminho e, principalmente, desprezar a nossa felicidade. Esse é o grande pecado.
O grande mistério está em descobrir qual o caminho que Deus fez para mim. É como se estivesse num cruzamento. Vou pela direita ou pela esquerda? É tão difícil escolher...
Sei que aquele desvio não é o caminho. Mas então porque quero ir para lá?
Porque é que é tão fácil ir contra o meu caminho de felicidade?
Porque é que é tão fácil pecar?...

"Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim."
(Rom. 7, 19-20)

2007-03-12

Segundas intenções? Ou verdadeiras?



Já só tenho uma avó viva. Gosto muito dela e sempre existiu uma cumplicidade avó-neta bem visível e até causadora de muitos ciúmes da parte da minha irmã que, com o seu feitio revolucionário, nunca conseguiu compreender a simplicidade e o conformismo de quem pouco espera desta vida.
Agora que já passou os setenta e tal, viúva, sozinha numa casa inexplicavelmente grande, com pouca família que se preocupe com ela, tinha uma remota esperança que a neta fosse viver com ela.
"Arranjavas a parte do rés-do-chão para ti e para a tua família e eu ficava no andar de cima!".
Parece que a estou a ver com a lagrimita no canto do olho quando lhe disse que não podia ser. Não dependia só de mim. E que também queria um bocadinho de privacidade, pelo menos por enquanto.
Mas apesar de não viver com ela vou lá ter a casa muitas vezes. Lá conversamos acerca das coscuvilhices da aldeia, das sementes que plantámos, das flores para a campa... E ao contrário do que quase toda a gente pensa, eu gosto mesmo de estar ali à conversa com ela, de dar a volta ao jardim, de picar a horta, de falar com as vizinhas. Acho que no fundo sou mesmo uma "aldeã" emprestada à cidade.
Naquele dia estava mau tempo, um verdadeiro dia de Inverno com muita chuva e vento. Como sempre, antes de ir à missa, passei lá em casa. Ela estava doente, na cama, com uma gripezita que naquela idade é sempre preocupante.
"Ora tu, rapariga, com um tempo destes devias era ficar em casa! Deus Nosso Senhor perdoa-te se não fores à missa!"
Não pude deixar de sorrir pois a minha avó, apesar da minha insistência, não vai regularmente à missa. Não que não seja crente, mas acredita que como Deus está em todo o lado não precisa de ir à Igreja para falar com Ele. E não há quem a demova da sua ideia.
"Mas eu não vim só à missa, avó, vim também ver como estavas!"
"Oh... mas não precisas de ir ao adro... Já fizeste uma grande obra de caridade ao vires ver-me! Deus perdoa-te se não fores à missa!", repetiu.
Fui vê-la porque gosto muito dela da sua companhia. Não vejo isso como obra de caridade. Vou à missa porque gosto e não porque tenha medo que Deus me castigue se não fôr.
E fiquei triste por pensar que a minha avó pense que a vou ver por obrigação, ou que vou à missa porque não quero "pecar". Será essa a imagem que deixo passar de mim própria?
Será que é assim tão difícil acreditar na sinceridade das minhas visitas, da minha fé?
Será que as segundas intenções das acções de alguns já nos contaminaram a todos de tal forma que desconfiamos de tudo o que é feito com amor?
Fiquei a pensar... Se a minha própria avó pensa assim, o que pensarão os outros de mim!

2007-03-02

O Amor está fora de moda

Li com bastante agrado a mensagem do Papa Bento XVI aos jovens pelas comemorações da XXII Jornada Mundial da Juventude. O Santo Padre pede aos jovens que reflictam nas palavras de Jesus "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo 13,34) e acho que realmente esta reflexão não podia ser mais oportuna.

Esta semana foi publicado um artigo numa revista (penso que foi na Sábado, mas não tenho a certeza) que relatava as conclusões de um estudo feito aos jovens portugueses (até aos 30 anos, se bem me lembro) relativamente às prioridades da sua vida, aos seus valores mais importantes e ao que aspiram.
Não posso dizer que tenha sido uma surpresa, mas infelizmentes os resultados são, na minha humilde opinião, decepcionantes.

Segundo o que apurou o tal estudo, os jovens de hoje gastam quase todo o orçamento em audiovisuais (Cds, DVDs, cinema, concertos...), preferem artigos de marcas caras, adoptam estilos de decoração mais personalizados (optam muitas vezes por contratar decoradores profissionais para as suas casas), procuram carros que conferem um certo "status", não hesitam em pedir dinheiro emprestado ao banco para tirar férias e têm por hábito comer fora de casa.

Quanto às suas ambições, parece que o principal sonho dos nossos jovens é atingir um certo estatuto social que não os deixe "ficar mal vistos" em relação aos amigos.

Há inclusive um depoimento de uma jovem que afirma que não quer passar a sua juventude como os seus pais que ficavam sempre em casa a ver televisão e a fazer sacrifícios (raramente saíam para comer fora) para juntar dinheiro para lhe proporcionar uma educação superior.

Como resultado desta nova forma de vida, são cada vez mais habituais os casais que optam por não ter filhos pois não estão dispostos a abdicar das suas "regalias" por causa de um filho. Na revista que li até lhe davam um nome próprio a estes casais: "Dinkies". E eu até conheço um casal assim.

Custa-me aceitar estas opções. Estamos a viver tempos muito egoístas. Tempos em que cada um só olha para si mesmo e para o seu conforto e ninguém aceita desistir dele.

Penso que isto resulta da falta de amor. Porque o amor pelo outro implica entrega, aceitação, renúncia. E isso já poucos estão dispostos a aceitar, aliás nem sequer tentam.

Por isso acho tão pertinente este apelo de Bento XVI. Falta amarmo-nos mais, entregarmo-nos mais. Mas, infelizmente, como me dizia há tempos um amigo meu, isso não é "fashion".

Os jovens católicos têm obrigação de reflectir sobre estas palavras e cada vez mais são eles que têm a responsabilidade de dar o seu testemunho de amor pelos outros.

E neste momento de Quaresma, é uma excelente proposta de reflexão...

2007-02-23

A amizade


A verdadeira amizade é como a fosforescência: nota-se melhor quando tudo
fica às escuras.
(Tagore)


O S.P. convidou-me para falar da amizade, e disse que era "um trabalhinho fácil"... Bem, é verdade que há-os mais difíceis, mas falar da amizade ou do amor não é "pêra doce". É daquelas coisas que todos sabemos o que é mas não conseguimos bem explicar, pois a amizade é tanta coisa que é complicado reduzi-la a uma breve definição.
Pensei em reflectir sobre a amizade através de pensamentos e testemunhos de outras pessoas, mas acho que na minha própria vida encontro o que procuro.
Tenho amigos de infância. Todos eles a viver longe da terra onde crescemos juntos. Mas basta um telefonema e eles estão lá para nos ouvir. Sempre. E às vezes passamos meses sem falarmos...
Tenho amigos da "borga". Ao pé deles não é possível ficar triste. São a melhor companhia para esquecer as tristezas. São capazes de fazer qualquer coisa (até "figuras tristes") para me fazerem sorrir.
Tenho amigos do trabalho. São os primeiros a ajudar-me, mesmo sem lhes pedir ajuda. Não há problema que eles não resolvam, mesmo que para isso se prejudiquem.
Tenho amigos "de coração". São aqueles que eu sei que pensam como eu, vêem a vida como eu, em quem sabemos que podemos depositar todas as nossas confianças. Mesmo não sendo amigos de longa data, sei que são uma pedra forte nos alicerces da minha vida.
Tenho amigos da família. Mesmo que os laços que nos unem se partissem, eu sei que poderia sempre ter neles um amparo para toda a minha vida.
Tenho ainda o meu melhor amigo, o meu namorado. Nem podia deixar de ser...
Tenho a certeza que se faltasse cada um destes meus amigos na minha vida, ela seria muito mais pobre. São eles as pedras em que me apoio para caminhar e acho que é isso a amizade. Podem assumir vários papéis (ouvintes, conselheiros, companheiros...) mas são os primeiros de quem me lembro quando peço a Deus.


Haveria tanto para falar sobre a amizade... Mas mais importante que falar da amizade é preservá-la. Obrigada a todos os meus amigos!




2007-02-18

Saber ganhar

Sempre achei muito interessante os fenómeno do futebol em Portugal. Parece que todos temos uma espécie de carimbo que nos marca a partir do momento que dizemos que somos adeptos de um clube, e a partir desse momento a nossa identidade está irremediavelmente ligada à nossa preferência clubística. Até se diz que pode-se mudar tudo na nossa vida mas nunca se muda de clube.

Eu, que por acaso até sou sócia pagante desde já há muitos anos de um clube de futebol (nem eu sei bem porquê...), continuo a surpreender-me com as loucuras que tanta gente é capaz de fazer por causa de um desporto.

Mas o que eu não consigo compreender é o facto de as pessoas assumirem as derrotas e as vitórias dos seus clubes como se fossem suas, o facto de haver quem se ofenda e quem se dedique a "picar" os adeptos de clubes rivais só porque a sua equipa ganhou e a do outro perdeu.
Amigos que se zangam, casais que se separam, sociedades desfeitas, vinganças que se prometem, enfim já vi de tudo. Por causa de uma equipa de futebol.
De vez em quando lá aparece uma ou outra pessoa que solta a tradicional frase "Eles é que o ganham, para que é que eu me hei-de estar a chatear...". Mas invariavelmente só o dizem quando a sua equipa perde...
Suponho que este ressentimento acumulado que leva tantas pessoas a festejar as derrotas dos outros, mais até que as vitórias da sua própria equipa aplica-se não apenas no futebol mas em tudo.
Pessoalmento penso que é natural que alguém se sinta contente quando algo, seja uma equipa de futebol, um partido político, ou uma opinião qualquer com que se identifica ganhe. Acho que é natural e salutar, afinal a vida pinta-se com as cores dos momentos alegres como esses.
O que eu já não acho muito cordial é o facto de haver quem se preocupa mais com a derrota dos outros do que a sua própria vitória. Quem se preocupa mais em enxovalhar os derrotados do que propriamente congratular-se com a sua vitória. Quem de alguma maneira se considera num nível superior porque a sua equipa ou as suas ideias ganharam e se julga no direito de ainda "martirizar" mais quem perdeu.
Infelizmente existe muita gente assim. Basta ler os jornais, seja sobre que assunto for.
Talvez devêssemos compreender que nada na vida é eterno e se calhar um dia destes aqueles que hoje riem, poderão vir a chorar mais tarde.

"Um grande Homem sabe aceitar as derrotas. Mas maior ainda é aquele que sabe ganhar com dignidade." (Autor Desconhecido)

2007-02-09

Que mal fez ela?

Vamos chamá-la Rosa.

A Rosa era uma menina igual às outras da sua idade até que um dia, um acontecimento trágico deixou-lhe marcas que ainda hoje persistem. O cabelo foi caindo até que não restou nenhum. Trauma psicológico, dizem os médicos.

A família, principalmente a mãe, é muito crente e participa activamente lá na igreja da terra.
Já tentaram todos os tipos de tratamento, já fizeram muitas promessas a muitos santos e a Nossa Senhora, mas a verdade é que a Rosa já se habituou à sua condição e já não acredita em grandes melhorias.
No entanto, e como já era de esperar, há sempre uma pergunta que paira no ar, apesar da devoção daquela mãe, daquela família: "Que mal fez a Rosa para merecer isto?"
Porquê ela?
Acredito que estas questões sejam mais fáceis de responder a quem não acredita num Deus bondoso e que nos ama muito. Mas fácil ainda para quem não acredita em Deus, seja quem Ele for.
Para a Rosa que vai à missa todos os domingos, e até já foi catequista, e para a mãe e todos os que a rodeiam é mais difícil de responder.
Inevitavelmente começam a surgir sentimentos de culpa. "Que fiz eu para merecer isto?"
Pessoalmente acredito que Deus não nos deixa sofrer mais do que aquilo que são os nossos limites. Acredito que Deus sabe que ela consegue suportar todo este problema, e por isso é um exemplo de vontade para quem a conhece.
Infelizmente a Rosa ainda não vê as coisas desta maneira e lá dentro dela sente-se uma revolta contida, mas ainda assim uma revolta sentida.
E se fosse comigo? Também aceitaria os desígnios de Deus sem os questionar?
Não sei. É preciso ter muita fé para ser imune à crueldade da sociedade em que vivemos...

2007-01-26

O dia do Senhor


Domingo, princípio da tarde.

"Olá! Então, tudo bem?"

"Cá se vai andando... E contigo?"

"Eh pá, ando cheio de trabalho. Só vim aqui tomar um cafézito e já vou voltar para casa para acabar de apanhar a azeitona..."

"Deixa lá isso! Hoje é Domingo! Não se trabalha, é o dia do Senhor! Apanhas a azeitona amanhã!"

"Amanhã não me dá jeito... e além disso o dia do Senhor é como o Natal, é quando a gente quiser!"- e sorriu com ar de desafio.

"Não é bem assim!"

"Então não é?! O próprio Jesus disse que o Sábado foi feito para o homem e não o homem para o Sábado, não foi?!"

"Sim, é verdade..."

"Então o dia do Senhor para mim é quando eu tiver tempo para desfrutar do dia. E hoje não posso!"

"Devias ter sempre tempo para Deus, sabes disso..."

"Oh... Se até os padres fazem a missa no Sábado em vez do Domingo, porque é que eu não hei-de trabalhar no Domingo e descansar noutro dia?"

"É diferente... os padres têm muitas paróquias, têm de deixar algumas para sábado!"

"Olha que lá na minha paróquia já há duas semanas que não temos missa ao domingo! Porque é que não as fazem no Domingo à tarde?! Se é o dia do Senhor, é o dia inteiro, não é só de manhã!!"

"Bem, desse ponto de vista... Eles lá terão as suas razões..."

"Pois, e eu tenho as minhas! Bem, tenho de ir ver da azeitona, que se eu não a apanhar hoje ninguém a apanha por mim..."

"Pronto, vai lá... Bom trabalho!"


Fiquei sem saber o que dizer... Haveria mais alguma coisa a dizer?...


2007-01-14

"A Igreja é o ginásio da alma"


Hoje vou deixar aqui uma notícia que me deixou surpreendida. Ao navegar pela Ecclesia deparei-me com estas declarações de Sylvester Stallone (sim, esse mesmo, o do Rocky, do Rambo e outros que tais...):


Sylvester Stallone, conhecida estrela do cinema de acção, revelou que regressou à fé e decidiu mostrar este momento da sua vida no filme “Rocky Balboa”, estreado há pouco tempo nos EUA.
Conforme refere o jornal “La Razón”, da Espanha, Stallone redescobriu Deus e agora recomenda aos seus fãs que vão à Igreja para libertar-se das pressões e exercitar a alma. “Não interessa o passado. Se olharmos para Deus, poderemos renascer”, sustenta o actor e assegura que seu último filme, “Rocky Balboa” quer reflectir a fé cristã que perdeu na juventude, com uma “grande carga espiritual”.
Stallone cresceu num lar católico e foi educado em escolas católicas. “Depois dei algumas reviravoltas erradas quando saí da ‘vida real’. Precisei de passar pelas minhas provas e tribulações antes de poder ser suficientemente homem para interpretar um filme como este último”, afirmou.
“Quanto mais vou à Igreja, mais aprofundo a minha fé em Jesus e escuto a sua Palavra, ao mesmo tempo deixo que a sua mão me guie. A Igreja é o ginásio da alma”, completou.

http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia.asp?noticiaid=41433

Ora aí está! "A Igreja é o ginásio da alma". Quem diria que lhe sairia uma destas?!...


2007-01-07

Para melhor... muda-se sempre!

Ao longo da minha (não muito longa) vida ouvi algumas vezes amigos meus criticarem-me por ser um bocadinho teimosa. Aliás, ainda hoje a minha família diz que "quando se mete alguma coisa na cabeça, é escusado contrariar".
Nunca aceitei estas críticas, apesar de respeitar a opinião dos meus amigos e família, porque não me considero teimosa ou casmurra, mas reconheço que não sou facilmente influenciável.
Gosto de refelectir e debater todos os assuntos para que tenha uma opinião formada e sustentada, defendo as minhas ideias quando acho que tenho razão, mas quando percebo que estou errada não tenho qualquer problema em assumir que mudo de opinião e que por vezes contrario algumas posições que defendi "com unhas e dentes" no passado.
Quem me conhece há algum tempo sabe que mudei muito a minha maneira de estar na vida, e até alguns dos meus colegas de liceu, no último jantar anual da turma (que se repete todos os anos, desde 1996) dizem que ainda não acreditam que seja eu a primeira a defender certos valores que outrora rejeitava tão categoricamente. Logo por estas afirmações se vê que a teoria da "casmurrice" cai por terra, e não tenho vergonha nenhuma de assumir que mudei, da mesma maneira que não tenho qualquer remorso por, noutros tempos, ter tido opinião diferente. Era a minha opinião na altura e eu sempre defendi as minhas convicções, mesmo que todos os outros estejam contra. Se não fosse assim, provavelmente a minha vida não teria dado a volta que deu.
Ultimamente a vida encarregou-se de, mais uma vez, mostrar-me que estava errada. A vida e não só, porque, verdade seja dita, pedi a Deus muitas vezes para me mostrar que estava errada nesta matéria, pois no fundo eu queria acreditar que estava errada. E Deus, mais uma vez, atendeu o meu pedido.
A questão era sobre o referendo sobre o aborto. Em 1998 votei a favor da despenalização e não me arrependo disso. Como já disse anteriormente, não tenho remorsos do que fiz no passado porque fui sempre fiel às minhas convicções. Na altura pensei que era a atitude correcta.
Entretanto os anos que passaram foram deixando marcas e quando o assunto voltou à baila, já não tinha tantas certezas como antes. Agora já não ouvia apenas uma das partes, como acontecia há 9 anos atrás, agora tinha a oportunidade de ouvir os dois lados.
No entanto, e apesar de concordar com todos os argumentos apresentados pelo "Não", havia uma coisa com que eu não podia concordar. Era o facto de haver mulheres que recorriam ao aborto clandestino e por isso submetiam-se a condições miseráveis que as deixavam muitas vezes estropiadas, até às portas da morte, em alguns casos. Pensava: já que se vão perder vidas, que seja só uma. Salvem-se as mães.
E andei, durante muito tempo, a remoer isto. Por mais que lesse, por mais que ouvisse, havia sempre esta imagem das mães que me impedia de assumir a 100% a opção do "Não". Até já tinha pedido ao meu padre para falar acerca disto pois eu queria mudar a minha opinião, mas não porque os outros me diziam que o devia fazer. Eu tinha que ter a certeza do que estava a defender, e aquela imagem das mães sofredoras não me saía da cabeça.
Pela primeira vez, e após umas quantas horas a ouvir os defensores do "Não", já quase no final da apresentação, houve uma frase que me tirou finalmente as dúvidas, e que por ser uma pergunta tão óbvia, me surpreendeu por nunca ter pensado nela.
"Qual é a diferença de matar uma criança aos 9 meses, acabada de nascer ou uns meses antes?
Afinal, já existe vida. O coração já bate. Porque é que matar uma criança antes das 10 semanas não é crime e se fôr 1 dia depois já o é?"
Pensei novamente nas mulheres, nas mães. Mas agora pensei também nos filhos. As mães têm alternativas. Os filhos não.
Apesar de sentir que preciso ainda de amadurecer mais estas ideias, não preciso de mais argumentos (se ler isto, Sr. Padre, fica já a saber que já não preciso de falar consigo!).
Hoje votava "Não".
Para melhor, muda-se sempre.

2007-01-02

Olho por olho...

O ano de 2006 acabou mal. Para mim, pelo menos, acabou mal e acho que para a Humanidade, no geral, também.
Não tenho qualquer simpatia pelos ditadores, sejam eles de que nacionalidade. Muito menos por aqueles que cometem crimes tão horrendos como os que cometeu Saddam Hussein. Alguém que demonstra ter tão pouca consideração pela vida humana dificilmente consegue provocar qualquer tipo de sentimentos que não sejam os piores possíveis.
No entanto, e mesmo com todas as culpas que lhe são justamente imputadas, é uma vida humana. Ele é um filho de Deus, um irmão. E não consigo entender como é possível que pessoas que invocam Deus para tudo e mais alguma coisa possam consentir e até aplaudir a condenação à morte seja de quem for.
Passo a transcrever a notícia das reacções à execução de Saddam Hussein:

A execução de Saddam Hussein foi condenada pelos governos Europeus e pelo Vaticano e aplaudida pelos Estados Unidos. O presidente norte-americano, George W. Bush, acredita que a morte do ditador vai ajudar a construir a democracia no Iraque.

É política, dizem.
No entanto, se condenam um homem com a justificação de ser um assassino, ao matarem-no estão a praticar o quê? Também não é um assassínio?...
Poucas horas depois ocorreu o atentado da ETA em Espanha. No Iraque foi mais um dia sangrento com dezenas de mortes.
Que lição está a dar o mundo dito civilizado, ou melhor, que lição está a dar a dita nação mais democrática do Mundo, os EUA, ao resto do mundo, quando aplaude a execução de uma pessoa?
É tudo política, dizem novamente.
Mas não deixa de ser uma vida.
E já dizia Gandhi: “Olho por olho, e ficamos todos cegos”.

2006-12-28

12 desejos para 12 badaladas

Espero sinceramente que este novo ano seja um ano de muita, muita Paz. Para mim e para todos.

Que o Mundo fique um sítio melhor para viver e que eu contribua um pouquinho para isso.

Que toda a minha família se mantenha unida e com saúde.

Que eu possa caminhar com Jesus livremente sem amarras de qualquer espécie.

Que todos os meus amigos permaneçam comigo, nem que seja em pensamento.

Que eu tenha sempre tempo para o que é realmente importante.

Que todos me ajudem a percorrer o meu caminho, concordando ou não com as minhas opções.

Que Deus me ilumine nas minhas acções e palavras.

Que todos se encontrem a si mesmos, principalmente os que andam perdidos.

Que todos os meus alunos se livrem dos vícios e encontrem o seu rumo.

Que todos os Pais amem os seus filhos.

Que cada um ame o próximo como a si mesmo.


Quando soarem as 12 badaladas são estes os meus desejos para o novo ano.

Queira Deus que se concretizem!


Um Bom Ano de 2007 para todos!

2006-12-23

A bolinha do Natal

O S.P. lançou-me um desafio: passar a bolinha do Natal que anda a visitar a blogosfera.

A Malu começou e pediu à Xana que passasse a bolinha do Amor.Seguiu-se o Portinho de Abrigo, o Bom Joaquim, o Pensar Cristo, a Gota de Chuva, a Joana, a Maria João , a Elsa, a Sandra, o Tó Carlos e S.P.
Cada um escreveu um bocadinho e agora cabe-me a mim passar "ao próximo e não ao mesmo"!
A bolinha do Natal aqui chegou
Cheia de força e de calor
Por tantos amigos passou
Sempre cheia de Amor!

Que continue pois a passar
Espalhando a sua Luz!
Pela blogosfera a brilhar
É a Luz do Menino Jesus!

A bolinha do Natal já quer seguir,
Já saltita cheia de energia
Noutro coração quer luzir
Quer enchê-lo de alegria!

Vou fazer-lhe a vontade
E fazer uma entrega especial
Vou passá-la a um amigo de verdade
Com votos de um Santo Natal!


Agora, Confessionário, é contigo...
(É a paga da corrente que passaste para mim há tempos... ihihihihih)

2006-12-19

A todos um Bom Natal!

Agora que as compras estão feitas e as reuniões acabaram, posso, finalmente, sonhar com o Natal, a altura do ano que mais gosto.
É como se renascesse uma esperança dentro de cada um, uma esperança de uma vida e de um mundo melhor.
Peço a Deus que cada um de nós consiga viver este Natal da melhor maneira e que este seja mais do que uma festa igual a tantas outras.
Que o Menino Jesus volte a ser o Rei, em vez do Pai Natal.
Que a família se junte para comemorar a vinda do Salvador, em vez de trocar presentes que se repetem ano após ano.
Enfim, que o Natal seja o melhor para todos, com muita saúde, muito Amor e muita alegria.
Um bom Natal para todos vós!

2006-12-11

Foi há um ano...

Foi há um ano… Parece que já foi há uma eternidade! Tinha que lembrar hoje esse dia que iria mudar a minha vida, mais até do que eu imaginava. E ainda bem que mudou…
Um ano de renovação, de introspecção, de aprendizagem, um ano de revelações.
Amigos novos, dos verdadeiros. Um compromisso real, um desafio, e, para os outros, uma mudança radical.
Deus sempre esteve ao meu lado, tenho a certeza que sim, mas só há um ano, há exactamente 365 dias atrás, senti que eu estava do lado d’Ele. E cada dia tento dar o meu melhor para continuar a senti-Lo ali, mesmo ao meu lado, de mão dada, a guiar-me.
Ainda agora, tal como há um ano atrás, sinto um nó na garganta, as lágrimas querem cair, sempre que lembro aquele momento. Nunca o vou esquecer…
A minha catequista sempre me disse que o dia do nosso baptismo é tão ou mais importante que o dia do nosso aniversário. Mas o aniversário, há muito que deixei de ter vontade de o comemorar, apesar de todos as outras pessoas fazerem questão de me lembrar que estou mais velha…
Deste dia ninguém se lembra, e também não importa, porque esta é uma festa verdadeira, sem “amigos de ocasião”, nem prendas artificiais. Não é só hoje, ou em todos os dias 11 de Dezembro que Ele se lembra de mim. Dá-me uma prenda todos os dias e todos os dias é uma festa porque Ele está comigo. Mas hoje é um dia de celebração, pois uma filha estava perdida e Deus encontrou-a.
Obrigada por tudo, Senhor.

2006-12-07

Para todos os que me perguntam...

Desculpem, mas se traduzisse o poema perdia toda a graça...

You ask why I follow this Jesus?
Why I love Him the way I do?
When the world's turned away from His teachings
And the people who serve Him are few.

It's not the rewards I'm after
Or gifts that I hope to receive
It's the Presence that calls for commitment
It's the Spirit I trust and believe.

The Lord doesn't shelter His faithful
Or spare them all suffering and pain,
Like everyone else I have burdens,
And walk through my share of rain.

Yet He gives me a plan and a purpose,
And that joy only Christians have known,
I never know what comes tomorrow,
But I do know I'm never alone.

It's the love always there when you need it;
It's the words that redeem and inspire,
It's the longing to ever be with Him
That burns in my heart like a fire.

So you ask why I love my Lord Jesus?
Well, friend, that's so easy to see,
But the one thing that fills me with wonder is
Why Jesus loves someone like me.

Autor desconhecido

2006-12-03

Dia Mundial da Luta Contra a SIDA

1 de Dezembro: Dia Mundial da Luta Contra a SIDA.
Não há nada de novo a dizer sobre a SIDA. Toda a gente sabe o que é, ou pelo menos devia saber. Toda a gente sabe como prevenir o contágio, ou pelo menos, devia saber.
Lembro-me de há uns anitos atrás, cada vez que ouvia ou lia alguma notícia sobre o número de infectados pelo mundo inteiro, ficava indignada. "Esta gente é mesmo estúpida", pensava, "mesmo sabendo que correm perigo de vida, deixam-se contaminar!". Para mim, a SIDA era uma doença dos incultos, dos palermas, enfim, dos irresponsáveis.
Até que um dia acordei com uma notícia que me faria mudar a minha opinião, que afinal não era mais do que um preconceito. Na altura jogava basketball na equipa da escola, não perdia um jogo da NBA, e tinha no meu quarto apenas um poster do "Magic" Johnson, enquanto as minhas amigas cobriam as paredes com a Madonna, o Tom Cruise ou os New Kids on the Block.
Fiquei revoltada. Como é que era possível?! Ele, o "mágico" tinha SIDA?! Como?! Então ele não é casado? É! Então não sabia dos perigos que corria? Como é que ele se deixou infectar?!
Nesse mesmo dia tirei o poster do quarto. Revoltada.
Os anos encarregaram-se de mudar a minha atitude. Hoje sei que não vivemos num mundo perfeito, nem sempre fazemos o que é suposto fazer e que não há ninguém que não tenha as suas fraquezas.
Vivêssemos nós num mundo perfeito e não haveria SIDA, não havia toxicodependência, não havia pobreza, não havia abortos, não havia homicídios, não havia guerra, não havia tanta coisa...
Mas, infelizmente, é o mundo que temos e temos de lidar com ele, para o bem e para o mal.
Pessoalmente, acredito que o problema da SIDA, como tantos outros, só se resolve com medidas concretas. Tenho de admitir que realmente a abstinência sexual fora do casamento é uma medida eficaz na luta contra a SIDA, mas, sinceramente, quantos os praticam?
As pessoas erram. Infelizmente existem muitos irresponsáveis, muita gente que cede às tentações sem pensar nas consequências. Merecem morrer? Não!
Li ontem no jornal que a Igreja Católica está a reflectir sobre o uso do preservativo e que, provavelmente, irá mudar a sua postura em relação a este assunto em meados do próximo ano.
Espero que sim. Numa altura em que tanto se fala do valor da vida humana, acho que seria uma atitude coerente.

2006-11-27

As raparigas não o vão largar!

Apesar de não ser esta a ideia inicial para este post, não resisto a contar um episódio engraçado que achei muito pertinente nos dias que correm.

Foi ontem, na Eucaristia. Costumo chegar um bocadinho antes da hora da missa e aproveito esse tempinho para reflectir e falar com Deus. Estava eu embrenhada nos meus pensamentos, quando a Dª Maria, que costuma ficar sempre comigo, me bate no braço. Era o padre que estava a chegar.

"- Oh menina, já viu, se deixam os padres casarem ficamos sem padre! Um borrachinho daqueles! Elas não o largam!"

Contive a muito custo uma gargalhada, não estava nada à espera daquele comentário vindo de uma septuagenária tão respeitável. E continuava:

"-Estive a ver aquela notícia na televisão, do Papa deixar os padres casarem, e lembrei-me logo do nosso padre. É que, ainda por cima, ele podia ser assim, mas ser antipático. Mas não é, é uma simpatia, sabe falar tão bem com as pessoas! As raparigas não o vão largar!"

Achei que devia tranquilizar a Dª Maria, e lá lhe disse que o fim do celibato ainda não era para agora, o Papa tinha apenas discutido isso, mas não havia nenhuma mudança de posição.

"- Por mim," - dizia a Dª Maria - "não me faz diferença nenhuma que se casem, eu só não quero perder o nosso padre, que é tão bom para nós!".

"- Não perde, Dª Maria, vai ver que não perde..."

Entretanto começou a chegar mais gente e a conversa ficou por ali...

É engraçado como a maioria das pessoas vê o fim do celibato como forma de ganhar mais vocações, e a Dª Maria pensa exactamente o contrário. Nunca tinha visto as coisas dessa perspectiva...

2006-11-19

Radical, não?

Li na última edição da revista Visão um artigo muito interessante sobre o aumento do número de jovens raparigas que decidem ser freiras nos Estados Unidos da América. Parece que a adesão tem sido tão grande nos últimos tempos que há várias congregações que tiveram que ampliar os conventos, tal é o número de noviças que pretendem consagrar a sua vida. Boas notícias, não são?

Uma das explicações dadas pelos "entendidos" neste assunto seria o facto de estas raparigas considerarem esta decisão de se tornarem freiras uma atitude "radical". Ou seja, numa sociedade em que o que é vulgar é ter uma vida de excessos, luxo, vícios, sexo, liberdade para tudo, enfim, onde toda a gente faz o que quer e lhe apetece, o que é "revolucionário" e "radical" é optar por uma vida de austeridade, castidade e obediência. Pelo menos foi o que escreveram na revistas os sociólogos, ou psicólogos, já não me lembro bem...

Espero sinceramente que esta não seja a única razão que leva estas raparigas a serem freiras, porque se for, quase de certeza que se vão arrepender mais tarde, digo eu.

No entanto, e a propósito da última reunião no Vaticano sobre o celibato dos padres, não posso deixar de dar razão aos tais "entendidos" da revista. Ser padre ou freira nos dias que correm é de certa forma uma atitude radical, por ser testemunho de valores e de uma vida que vai contra o que é socialmente assumido como uma vida "normal". Não só por causa do celibato, mas essencialmente por ser uma vida de entrega aos outros, altruísta, desinteressada. E isso está muito pouco "fashion" nos dias que correm, e daí a "radicalidade".

Conheço alguns padres e freiras e tenho por eles uma grande admiração, exactamente pelo testemunho de vida consagrada a Deus e aos outros e na sua disponibilidade total para servir os outros. E os seminaristas, que são da minha idade, até mais novos, e com certeza tiveram os mesmos "convites" que eu tive para seguirem o que é moda, o que é "cool", mas eles seguiram o seu caminho. Eles sim, são radicais. Eles, realmente, "estão lá".

Não quero com isto pôr estas pessoas num pedestal porque todos sabemos que não são santos. E com certeza que as noviças norte-americanas não aspiram à canonização! Mas num mundo cada vez mais egoísta, estas pessoas são sinal vivo de Deus, que Ele continua bem no meio de nós.

Ainda me lembro das palavras do meu pai, que até está completamente afastado da Igreja, e da qual até é bastante crítico, me dizer quando era pequenina e lhe perguntei quem era Jesus: "Foi um revolucionário do seu tempo, filha, sempre defendeu os mais pobres."

Que falta nos fazem mais revolucionários (e radicais) assim...

2006-11-12

Problemas de consciência

Consideremos a seguinte situação hipotética: o Presidente da Junta de uma terra quer construir um novo campo de jogos.
A terra já tem dois campos de jogos, que na verdade são mais pequenos, mas também não é mentira dizer que nenhum dos dois enche quando há qualquer jogo.
Para sermos honestos, apesar de o Presidente da Junta pensar que a fraca afluência se deve à distância dos recintos de jogos, a verdade é que os habitantes gostam mais de ir ver os jogos das terras vizinhas do que da própria terra. E muito por culpa do Presidente da Junta que tem certas atitudes que por vezes não são do agrado dos seus conterrâneos...
Ora o Presidente da Junta até recebeu uns terrenos da Câmara para o novo campo, e parece, segundo dizem, que o Presidente da Câmara lhe teria prometido mais umas verbas para ajudar a obra. Entretanto a obra começou, o Presidente da Câmara deu o dito por não dito (segundo consta na terra) e agora não há dinheiro para acabar a obra.
O Presidente da Junta decide recorrer a toda e qualquer forma de ganhar dinheiro para o campo inacabado, desde a venda de artesanato feito pelas senhoras prendadas da terra, peditórios, recorrendo até a ameaças aos habitantes lá da terra, pois caso não contribuíssem para a nova obra, também não tinham o direito de a utilizar mais tarde.
Esta situação causou grande mal-estar entre os habitantes da frequesia pois por um lado a obra era desnecessária, e até havia outras obras mais importantes a fazer do que aquela, mas, por outro lado, era uma vergonha para a terra deixar a obra parada por falta de verbas...
Houve quem se revoltasse contra as ameaças do Presidente da Junta e o acusasse de querer fazer a obra por vaidade; houve quem apoiasse o dito Presidente, em parte por medo das represálias, outros porque estavam convictos que a obra era mesmo precisa e um campo de jogos nunca é demais.

Toda esta história para quê? Para vos questionar sobre o que vocês fariam.
O que deve um cristão fazer?
Desculpar a vaidade do Presidente da Junta, perdoar as ameaças, e contribuir para uma obra que, apesar de desnecessária, vai ser património de todos e que, mais cedo ou mais tarde, todos os habitantes irão utilizar?
Ou será que nos devemos manter fiéis às nossas convicções e não contribuir para uma obra faraónica, sem qualquer justificação, mesmo que um dia mais tarde até possa servir para os habitantes, e de alguma forma, "dar uma lição" de humildade ao Presidente da Junta?
Já agora, abstraiam-se do facto de ser um campo de jogos. Imaginem a mesma situação para um outro qualquer edifício: um lar, uma biblioteca, um cinema, uma creche ou até mesmo uma igreja...
E que é que um cristão deve fazer? O que é que Jesus faria?

2006-11-05

Sem comentários....

2006-10-29

"Não julgues e não serás julgado".

Lá começa outra vez a história do aborto...
E não, não vou escrever mais um post a dizer que sim ou que não. A minha opinião é muito mais complexa do que uma simples palavra.
O que me entristece no meio de tudo isto é a guerra de palavras, as discussões, os radicalismos...
Deixam-me tristes as pessoas que me olham de lado porque não partilho o seu ponto de vista, que me catologam por ter uma opinião própria, por não seguir cegamente uma das duas vias.
Porque é que os defensores do não têm de ser hipócritas? Porque é que os defensores do sim têm de ser assassinos?
Leio muitos artigos de opinião sobre os dois lados da questão, gosto de ouvir as opiniões das duas partes. Concordo com alguns argumentos dos dois. A minha decisão está tomada, em consciência, já há muito tempo, sobre esta questão e sei que, qualquer que seja o resultado da votação, não vou ficar contente.
Por isso, deixei de discutir este assunto. Não quero mais conflitos. Gostava que cada um votasse em consciência, que se informasse e que reflictisse, queria que respeitassem as opiniões de cada um.
Motivos de discórdia já há que sobrem. Informem-se, reflictam, procurem respostas. Discutam, mas com respeito pelos outros. Não julguem, não rotulem. Nenhum de nós é dono da verdade.